Olá, meus nobres. Venho aqui pautar um assunto que muito me perseguiu de muito tempo pra cá.
Não é surpresa que nosso perfil aqui na finansfera seja o de muito esforço pessoal, e isso inclui nos sacrificar muito no presente em prol de um futuro mais livre. Nosso perfil mais conservador, mais reservado e observador, também nos leva normalmente a sermos mais diretos e sinceros.
O grande problema, quando falamos da Matrix, é que muitas pessoas nela valorizam as interações sociais, mesmo que isso signifique agir como um "maria vai com as outras" para ser mais aceito, pertencer à algum grupo. Isso não se limita apenas às mídias sociais mais populares, como também as profissionais. Nas redes sociais profissionais, só vejo postagens de pessoas de sucesso, que acordam todos os dias super motivadas para pensar fora da caixa, fazem longos posts abordando verdadeiras juras de amor eterno aos seus empregadores, postagem do estilo "recolocado", esses coaches dos infernos que desconhecem a realidade individual de cada pessoa e vendem felicidade. E ainda os que querem aparecer colocando no próprio nome "Fulano da Silva ITIL COBIT PMP PICA DAS GALÁXIAS". Esse último muitos alegam que colocar certificações e afins nos respectivos nomes ajuda os headhunters a buscarem por esses profissionais, mas aí eu questiono: quem se garante, precisa mesmo dessa exposição exagerada?
Enfim, fiz todo esse paralelo, para ilustrar até onde vale a pena agir feito um macaco para ser "bem aceito" perante sociedade. Eu mesmo tive uma infância um pouco conturbada, e sempre fui excessivamente cobrado. Como nunca tive um perfil socializável, juntando com esse tipo de cobrança, hoje me tornei quem sou, e cheguei no patamar que cheguei, por esforço próprio. É claro que não posso se injusto com pessoas mais próximas, que ajudaram de certa maneira nessa jornada, ainda que 98% de esforço tenha sido exclusivamente meu.
Contexto devidamente introduzido para o tema do título. Desde que passei a me livrar do receio de me relacionar e de expôr minhas opiniões frente à realidade das coisas, menos pessoas vêm participando de meu círculo de comunicação. Se antes eu não tinha muitos contatos por timidez e insegurança, hoje me sinto bem mais seguro e despreocupado em expôr minha opinião, só que isso, ao invés de antes tomar mais pra mim, agora muitos se sentem ofendidos ou não querem simplesmente aceitar os fatos. Eu permaneço aprendendo, ninguém é dono da verdade. Eu já mudei de opinião muitas vezes, e pra mim isso não é fraqueza. Só que, ter opinião hoje em dia, além de ser raro, é muito criticado e nos tornamos alvos de um patrulhamento virtual sem precedentes.
Em termos práticos, eu já não uso mídias sociais há muito tempo, porque fiquei de saco cheio desse patrulhamento. Muitos que falavam comigo, não falam mais. Venho saindo de aplicativos de mensagem, por um lado motivado por isso. Porém, mais recentemente, até mesmo os que aparentemente compactuam de opiniões semelhantes, estão dando "piti". Embora públicos diferentes, o motivo é o mesmo: as pessoas não aguentam a verdade.
Na minha área de atuação, para se dar bem, é necessário que sejamos auto-didatas, que estudemos o tempo todo, que sejamos muito curiosos e que sejamos muito proativos. É uma área para se estudar até morrer, sem descanso. Eu vivo falando, que o mercado de TI não é protegido, ou seja, absolutamente qualquer pessoa pode ser um programador.
Ainda que exista um vasto mercado onde faltam realmente bons profissionais, este mesmo mercado é exigente. Eu já lidei com profissionais que muito me ensinaram e nem tinham formação acadêmica, ao compasso que já lidei com doutores que nada sabiam. De uns anos pra cá, muitos dos meus contatos profissionais se mandaram do país. Está voltando a ter uma demanda absurda por aqui, o que pra mim tem sido uma grande oportunidade, tanto que estou com um monte de projeto nas minhas costas. Há demanda, não há profissional.
Aí, quando vêm pessoas de outras áreas querendo se tornar programadores, eu não meço palavras. Mando a real, até mesmo para ver o quanto vão querer mesmo se empenhar em aprender e crescerem em uma área tão exigente. E a maioria dessas pessoas, ao invés de enxergarem uma oportunidade para tomar o protagonismo pra si, voltam para suas respectivas zonas de conforto, se sentindo ofendidas e não aceitam críticas construtivas e realistas. E aí, eu mais uma vez me torno vilão.
Por um lado, essas mesmas pessoas continuam na Matrix e não querem tomar uma atitude para tomarem o protagonismo de suas vidas. Meu patrimônio é apenas uma consequências das escolhas que fiz, e tenho certeza que não fiz outras escolhas, e que poderia estar morando em outro lugar, e com patrimônio muito maior que o atual. Mas eu fiz escolhas, e coloquei na minha cabeça que eu não queria ser mais um na corrida dos ratos.
Por outro lado, cada vez menos pessoas fazem contato, menos entendem a real das coisas que coloco, e assim vou ficando cada vez menos "popular". E isso me faz pensar, se seria melhor conviver num mundo boçal e distorcido, porém sem ser tão mirado como o errado, o chato. Da mesma forma que minha família não participa da jornada de liberdade financeira, usaria o mesmo mindset de não me expôr e conviver ainda discordando.
Acho que esse é o principal problema de nosso perfil: somos incompreendidos e lobos solitários. Hoje estou numa vibe que não quero mais ter razão em nada, só quero seguir minha vida sem ninguém enchendo meu saco. Só me chateia querer ajudar a quem desejo o melhor, e estes se comportarem como bonobos apertadores de botões na Matrix.
O lado positivo disso tudo, é que paro de perder tempo com assuntos que não me agregam valor. Passo a usar melhor tempo e energia em coisas que me tragam mais valor pessoal ou profissional, infelizmente numa pegada mais egoísta. Como acho que todas as pessoas buscam alguma satisfação em ajudar outras pessoas, permaneço querendo ajudar quem realmente possua esse entendimento e se permita.
Já bastava a época em que eu discutia por política, em vão. Esse mundo tá um saco de aturar, cheio de ofendidinho que não aceita crítica ou opinião contrária. Geração leite com pêra, e não apenas dos mais novos, não. Tem muito adulto bem mais velho que eu embarcando nessa.
Esse post foi mais um desabafo mesmo, e acredito que seja um contexto bastante comum na finansfera. Se trata de mais um viés que contribui muito para o que foi tratado
nessa postagem sobre a jornada solitária FIRE.